Mama hormonal avançado: um remédio para trocar de tratamento antes de a doença piorar
A ANVISA registrou o Etcamah (camizestranto), um comprimido para câncer de mama avançado que depende de hormônio, em quem aparece a alteração ESR1 durante o primeiro tratamento. A ideia é nova: trocar de remédio antes de o câncer dar sinal de piora.
· verificamos em 16/10/2026 · Mandar para alguém
Esta notícia é para um grupo específico, e vale dizer qual logo no começo: mulheres com câncer de mama avançado ou que se espalhou, do tipo que depende de hormônio (receptor de estrogênio positivo) e não tem HER2 — o perfil mais comum de câncer de mama.
A ANVISA registrou o Etcamah (camizestranto), um remédio em comprimido, com publicação no Diário Oficial em 21 de setembro de 2026 (Resolução nº 3.645, de 17 de setembro).
O que ele tem de diferente
Muitas mulheres com esse perfil começam o tratamento com remédio hormonal junto com um outro comprimido (da família chamada “inibidores de CDK4/6”). Com o tempo, o tumor pode desenvolver uma alteração chamada ESR1, que ajuda o câncer a escapar do remédio hormonal.
A liberação do Etcamah vale para quem:
- está nesse primeiro tratamento há pelo menos seis meses;
- teve a alteração ESR1 detectada durante esse período;
- e ainda não tem sinal de piora da doença — nem nos exames de imagem, nem nos sintomas.
É esse terceiro ponto que é novo. Normalmente, troca-se de tratamento depois que o câncer dá sinal de avançar. Aqui, a troca pode acontecer antes, guiada pela alteração que apareceu no exame.
Uma pergunta que cabe na consulta
Se esse é o seu perfil, dá para perguntar: “eu estou sendo acompanhada para a alteração ESR1?” Saber se esse acompanhamento faz parte do seu caso já ajuda a entender as opções.
Em junho, contamos sobre o Inluriyo, outro remédio para quem tem a alteração ESR1 — mas para um momento diferente, depois que o tratamento hormonal já não funcionou. São portas diferentes, e quem indica qual cabe é a sua equipe.
O pé no chão
A ANVISA liberou o uso no Brasil. Isso não significa que o preço já foi definido, que o SUS oferece ou que o plano de saúde é obrigado a cobrir. Nada disso aconteceu até agora — o registro é de 21 de setembro, e esses passos costumam levar bem mais tempo.